sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

PREPARAÇÃO FÍSICA PARA EQUIPES AMADORAS...

O futebol e uma das modalidades de maior desgaste físico dentre os esportes. No jogo de futebol (em qualquer nível) o treinamento e condicionamento físico são fundamentais.
São poucos os esportes que se pratica em tamanha área e tempo sem intervalo.
Em equipes não profissionais a preparação física e muito difícil de ser treinada, pois não existe período entre treinos e os atletas não têm responsabilidade alguma em questão do treinar.
No treinamento físico do futebol são treinadas diversas valências que são utilizadas no jogo em si, são elas:

  • Resistência: é a qualidade física que permite ao corpo suportar um esforço de determinada intensidade durante um certo tempo. A resistência apresenta-se de três formas:
  • Resistência aeróbia: é aquela cuja principal característica e apresentar uma intensidade pequena e um volume grande, ou seja, um longo tempo na execução da atividade. É de manifestação global no organismo.
  • Resistência anaeróbia: é aquela observada na realização de exercícios de alta intensidade e, por conseqüência de pequena duração. Ocorre também de forma sistêmica.
  • Resistência Muscular localizada (RML): observa-se ao nível muscular ou de grupo muscular e refere-se a capacidade deste grupo ou músculo de suportar repetidas contrações.
  • Força: Qualidade que permite a um músculo ou grupo muscular opor-se a uma resistência. Possui três tipos distintos:
  • Força dinâmica: tipo de qualidade na qual a força muscular se diferencia da resistência, produzindo movimento.
  • Força estática: ocorre quando a força muscular se igual a resistência, não havendo, Por tanto, movimento.
  • Força de explosão (ou potencia): é a conjugação de força e velocidade; pode-se apresentar como predominância de força, ou com predominância de velocidade. Não e classificada como qualidade física derivada, por apresentar especificidade na metodologia de treinamento. Tem uma participação tão importante nos desportos que habilita a ser considerada dentre as qualidades de forma física.
  • Flexibilidade: Qualidade física expressa pela maior amplitude possivel de movimento voluntario de uma articulação ou combinações de articulações num determinado sentido, dentro dos limites morfológicos e sem provocar lesões.
  • Coordenação: Capacidade de realizar movimentos de forma ótima, com o Maximo de eficácia e economia de esforços. Mente e corpo proporcionando a combinação motora que permitira a realização de uma serie de movimentos com o Maximo de eficiência e economia.
  • Velocidade: Qualidade física que permite realizar a ação em menor tempo possível. Apresenta-se de duas formas:
  • Velocidade de reação: observada entre um estimulo e resposta correspondente (Exemplo: tiro e partida).
  • Velocidade de movimento: expressa pela rapidez da execução de uma contração muscular.
  • Agilidade: Valencia física que possibilita mudar a posição do corpo ou a direção do movimento no menor tempo possível.
  • Equilíbrio: Consiste na manutenção da projeção do centro de gravidade dentro da área de superfície de apoio. Apresenta-se sobre três formas:
  • Equilíbrio dinâmico: aquele que é mantido durante o movimento
  • Equilíbrio estático: é observado em repouso
  • Equilíbrio recuperado: é o que se situa no ponto em que ocorre a transição entre o repouso e o movimento, ou movimento e repouso.
  • Descontração: Qualidade física eminentemente neuromuscular, oriunda da redução da tonicidade da musculatura esquelética. Apresenta-se sob duas formas:
  • Descontração total: quando o relaxamento da musculatura esquelética acontece de forma global.
  • Descontração diferencial: quando o relaxamento da musculatura ocorre durante o movimento. Nesta situação pode-se observar o músculo agonista realizando um trabalho, ao passo que o antagônico se encontra descontraído. Essa qualidade física é, basicamente, fruto de uma conscientização motórica.

Cada uma dessas qualidades físicas será exercida ao longo de qualquer programa de treinamento físico
Em equipes amadoras em diferentes freqüências de treino não e possível trabalhar todas estas valências físicas especificamente, mas e preciso trabalhar elas de forma geral
  • Preparação física na pré-temporada

O treinamento na pré temporada em equipes profissionais divide-se em 50% físico (trabalhando todas as valências acima citadas), 30% tático (trabalhando jogadas ensaiadas, bolas paradas marcação, defesa e ataque), 20% técnico (trabalhando todos os fundamentos), mas em equipes amadoras estes números têm que ser muito bem divididos, pois existe limite de tempo e baixa freqüência de treinos para trabalhar cada uma valencia separadamente
Atletas que treinam uma vez por semana:
Estes atletas pela freqüência maior de treino devem ser expostos a trabalhos físicos sem bola, querendo ou não o treino será de longa duração podendo assim trabalhar o condicionamento físico separado de outros tipos de treino onde o desenvolvimento e muito maior do que em trabalhos mesclados, sempre no final dos treinos devem ser estimulados coletivos que trabalham todas as valências físicas e ao mesmo tempo deixam os treinos mais descontraídos.
  • Atletas que treinam uma vez a cada duas semanas:

Estes atletas têm uma freqüência menor de treino então os trabalhos devem ser mesclados, ou seja, físico com técnico ou tático ou então somente físico, mas trabalhando mais de uma valencia (resistência aeróbica e velocidade de movimentação por exemplo).
  • Preparação física na fase de Competição

O treinamento na fase de competição em equipes profissionais divide-se em 20% físico (trabalhando todas as valências acima citadas), 40% tático (trabalhando jogadas ensaiadas, bolas paradas marcação, defesa e ataque), 40% técnico (trabalhando todos os fundamentos), mas em equipes amadoras estes números têm que ser muito bem divididos, pois como acima, existe limite de tempo e baixa freqüência de treinos para trabalhar cada uma valencia separadamente.
  • Atletas que treinam uma vez por semana (competição uma vez por semana):

Estes atletas devem ser estimulados a trabalhos sempre mesclados e nunca esquecendo o treino físico dentre esta mistura, as valências físicas dificilmente serão altamente desenvolvidas nesta época pois o desgaste físico na jogo e levado muito em consideração. Mas sempre ao final dos treinos estimulando o jogo coletivo para trabalhar a pratica do futebol em si e descontrair o treino.

  • Atletas que treinam uma vez a cada duas semanas (competição uma vez por semana):

Estes atletas dificilmente iram treinar a preparação física neste período, mas nos treinos que acontecem as preparações táticas e técnicas estas devem ser sempre de movimentação para estimular o condicionamento físico dos atletas, após isso a utilização de jogos coletivos irão estimular ainda mais as qualidades físicas, básica e especifica dos atletas.

No período de competição os treinos, principalmente em equipes amadoras, devem levar em consideração o desgaste no dia da competição (fadigas acumuladas, lesões musculares), utilizando de treinos de recuperação e se não for possível um treino de descanso, para que assim obtenha-se a forma física total do atleta para o jogo.
Em equipes amadoras deve ser estimulada a pratica de exercícios fora dos treinos, ao longo da semana, e também a criação de uma planilha de treinamento individual, com prescrição do tipo de exercício físico, microciclos, mesociclo, carga externa e interna, volume intensidade de carga de treino, alem é claro de serem estimulados a praticar os exercícios prescritos. Assim os atletas terão um desenvolvimento otimizado fora dos treinos.

A preparação física no futebol em qualquer categoria não pode ser excluída, pois o futebol tem características peculiares, jogadores em uma partida chegam a percorrer em media 10,0 km. No futebol amador a preparação física quase não existe, mas isso pode mudar quando as equipes começarem a entender que todos têm vontade de vencer, mas são poucos quem tem vontade de se preparar para vencer.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

AVALIAÇÃO TÉCNICA DA A.B.D.

Será realizada nos próximos dias 02 e 03 fevereiro de 2012, a 1ª Avaliação Técnica ( peneira ) da Associação Botucatuense de Desporto (A.B.D) para meninas que praticam a modalidade de futebol feminino.
A avaliação será realizada no campo da A.D.P.M. (Associação Desportiva da Policia Militar).


Devem se inscrever meninas na idade entre 15 e 18 anos, munidas de documento de identidade, chuteiras, caneleiras, calção, camisetas e meião.
As inscrições serão feita no mesmo dia, no local da avaliação. 
O campo da ADPM está localizado na Rua, Soldado Maurio Paes - s/ nº - Parque 24 de Maio.
O horario previsto para o inicio da avaliação é as 09h30min. 

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

FUTEBOL FEMININO É OURO NOS JAI

A equipe de futebol feminino de Botucatu, representada pela ABD (Associação Botucatuense de Desporto), se sagrou no ultimo dia 15,  campeã do 75° Jogos Abertos do Interior, realizado na cidade de Mogi das Cruzes.
A equipe mostrou mais uma vez que em se tratando de jogos abertos é sempre uma das favoritas.
Com uma campanha invicta, sendo 3 vitorias e 2 empates(com vitoria nos pênaltis) com 18 gols marcados e 5 gols sofridos, tendo como destaque a atacante Jeniffer com 5 gols marcados.
Vale ressaltar que mais uma vez a nossa equipe deixou para traz equipes como America de São Manuel, Franca, Araraquara, Cotia, Taboão da Serra e Taubaté, algumas desta equipes fazem parte da elite do futebol feminino no cenário nacional
Botucatu fez a final com seguinte formação; Maike, Jessica (luceia), Jujuba, Bruna, Elida, Nina, Karina, Grace, Aline Ninja, Aline e Tiemi, suplentes; Sara, Fran, Denise, Danubia, Tairis e Gilmara, comissão técnica; Renato, Luis Fernando, Rogério e Luzia.
PARABÉNS AS MENINAS DO FUTEBOL FEMININO DE BOTUCATU POR MAIS ESTA CONQUISTA, COM CERTEZA, MAIS UMA VEZ, ESCREVERAM SEUS NOMES NA HISTORIA DA NOSSA CIDADE.

domingo, 23 de outubro de 2011

PREPARAÇÃO FISICA...ESTAMOS NO CAMINHO CERTO

A preparação física no Brasil vem ganhando uma importância muito grande nos últimos anos em conseqüência dos calendários esportivos nacionais e internacionais. As equipes de diversas modalidades investem na preparação e recuperação dos atletas de alto nível através do conhecimento científico e atualização de procedimentos que estão em plena evolução. Desta forma favorecem a elaboração dos planejamentos de trabalho para as competições e compromissos assumidos pelos patrocinadores e clubes.
Um princípio básico da preparação dos atletas é o da especificidade de treinamento, isto é, o conhecimento a ser desenvolvido pelo preparador e técnico deve atender o que a modalidade realmente solicita como capacidades físicas para utilização em treinamentos. Considerando sempre que os jogos e treinamentos táticos realizados por sua equipe já podem solucionar a preocupação com a resistência específica de jogo, o que possibilita voltar as suas atenções para capacidades importantes como por exemplo força e velocidade .Consequentemente fortalece a idéia de maior qualidade e menor desgaste.
Outro princípio básico é a da individualização de treinamento. Muito importante em modalidades coletivas nas quais o treinador recebe um grupo com várias histórias de treinamentos diferentes desenvolvidos na carreira de cada atleta. Onde alguns possuem 10 anos de carreira em trabalhos de força e potência porém pouquíssima flexibilidade e organização músculo–esquelética, sendo estas, condutas que favorecem força, potência e gestos técnicos de melhor qualidade. Outros são atletas provenientes de categorias de base que estão no início de seu histórico como profissionais do esporte. Estes por sua vez nas categorias infanto, infantil, mirim de seus clubes devem estar em pleno desenvolvimento de seu repertório motor, em virtude de ampliar cada vez mais as suas opções de movimento nas tomadas de decisão de cada jogada de sua equipe. Para isso necessitam experimentar as mais variadas vivências de movimento e finalmente direcioná–los a especialização exigida por sua modalidade.
Atualmente na preparação física surgem a cada dia estratégias alternativas de trabalho para incrementar as rotinas de treinamento. Permitindo abandonar este termo „rotina„, proporcionam um leque de atividades que o treinador tem à sua disposição para melhorar e diversificar o seu treino. Como por exemplo atividades na água, areia, trampolim acrobático e atividades que a área de fitness criam, podem e devem auxiliar na preparação e recuperação de jogos ou lesões.
As lesões, recuperação e principalmente o retorno dos atletas às atividades normais são temas importantes para a comissão técnica discutir e definir os procedimentos cabíveis para cada caso. Justificando a necessidade das comissões técnicas multi–disciplinares com médicos, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos e profissionais que colaboram com seus conhecimentos em todos os fatores que fazem a diferença em um ponto, cesta, gol ou tempo final. Considerando também a importância da comunicação e entrosamento destes profissionais para o sucesso destas condutas de recuperação de lesões.
As alternativas de trabalho para a preparação de atletas, estão à disposição; o conhecimento científico, as universidades estão em desenvolvimento diário; os equipamentos esportivos, dispõem de tecnologia de ponta; estes fatores colocam o profissional de educação física e esporte na necessidade de estar atualizando constantemente o seu conhecimento.
Concluo que as palavras–chave atualmente na preparação física são: especificidade, individualização e atualização constante a fim de que os atletas em qualquer nível de treinamento ou investimento financeiro desfrutem de vidas esportivas de melhor qualidade.

EFETIVIDADE OFENSIVA NO FUTEBOL

O futebol se caracteriza por apresentar, dentro dos jogos desportivos coletivos (JDC), um dos menores números de finalizações a meta (gol) dentro de uma partida em comparação com outros esportes como basquete, handebol e vôlei, por exemplo. E dessas finalizações, um pequeno número é transformada em gol.
Poucas pesquisas sobre seu aspecto tático foram realizadas até hoje para a melhora da sua compreensão. Pesquisas não só quantitativas, mas também qualitativas precisando detalhes sobre ações ofensivas bem e mal sucedidas para que se observe padrões que se repetem e sirvam como balizadores do trabalho de campo.
Enquanto isso, os treinadores esperam que seus times apresentem algumas características na fase ofensiva baseadas em suas experiências anteriores (empirismo) e nas regras de ação ofensivas que visam dar uma objetividade maior ao jogo.
Vamos a essas regras:
- Dar amplitude (largura) e profundidade ao ataque: o ataque alargado afastará as coberturas defensivas facilitando conseqüentemente a profundidade nos espaços vulneráveis do adversário
- Iludir a defesa contrária: trabalhar a bola num primeiro momento em determinada zona para posteriormente aprofundar o jogo numa zona oposta
- Criar opções de passe: quanto maior o número de opções de passe, maior a dúvida gerada na marcação, tendo como conseqüência o aumento da chance de erro.
- Variações dentro da jogada: alternar passes curtos e longos, jogo direto e apoiado, velocidade de ritmo de circulação de bola.
Essas regras de ação criam uma base para os objetivos ofensivos de uma equipe. Não se deve tornar uma equipe um mecanismo mecânico.
O gol é grande objetivo do jogo e isso é fundamental ser frisado. A imprevisibilidade tem seu espaço sempre reservado para desestruturar os sistemas defensivos.

CRIOTERAPIA ..ESPERO QUE AJUDE !!!!

É comum que a prática de exercícios exaustivos causem adaptações morfológicas e/ou funcionais, podendo ocasionar em processos inflamatórios, com um acometimento de dor muscular de inicio tardio (DMIT) e/ou diminuição da performance (Barquilha et al, 2010). Esse processo é natural do organismo, sendo uma adaptação do organismo. Porém, é comum que profissionais voltados a esportes de alta performance busquem ferramentas para acelerar a recuperação muscular dos atletas, com o intuito de diminuir o processo inflamatório, sendo que crioterapia ainda utilizado em algumas modalidades esportivas.
A crioterapia se baseia na imersão em água gelada (entre 10° a 15°), tendo o propósito de reduzir o processo inflamatório, edema (inchaço), a formação de hematoma e também reduzir a dor. O gelo age no fuso muscular e no órgão tendinoso de golgi, provocando uma redução na velocidade de condução nervosa. É importante salientar que uma sobrecarga na realização de exercícios após a crioterapia pode levar a um novo quadro de lesão muscular, devido ao fato do controle motor está com o seu limiar alterado. Estudos indicam que existe uma correlação entre dor e rigidez articular e entre dor e função, sugerindo que o alívio da dor está diretamente relacionado com ganhos da função.
Discussão
Brancaccio et al (2005) encontrou um maior aumento no número de leucócitos, neutrófilos e macrófagos em ratos treinados com lesão muscular e crioterapia (TC) quando comparado com ratos treinados sem crioterapia (TSC), além de menor edema e uma menor desorganização das fibras musculares quando comparado com o grupo TSC.
Leite et al (2009) verificou o efeito da crioterapia após a realização de uma partida de futebol, encontrando um menor aumento nos marcadores indireto de dano muscular (creatina quinase(CK), mioglobina (MB) e DOMS) e uma menor diminuição na performance muscular (salto vertical, sprint de 20ms e força isométrica). Já Selwood et al (2007) não encontraram efeito positivo da crioterapia na CK, DOMS, teste isométrico e de desempenho após a realização de um protocolo de exercícios excêntricos. Corroborando com este resultado, Goodall e Howatson (2008) também não encontraram efeito positivo da crioterapia na concentração de CK, DOMS e força isométrica após um protocolo de exercício pliométrico intenso.
Com relação a concentração de lactato, Baroni et al (2010) analisaram o efeito da crioterapia de imersão sobre a remoção do lactato sanguíneo após exercício de alta intensidade. Foi observado que a recuperação passiva apresentou decréscimo significativo da concentração de lactato enquanto o mesmo não foi verificado com a crioterapia. A crioterapia de imersão, nos parâmetros adotados pelo estudo, apresentou-se menos efetiva que repouso para a remoção do lactato sanguíneo após exercício de alta intensidade.
Estudos de revisão citam que não se pode afirmar de maneira conclusiva a eficácia do tratamento com crioterapia após a prática de uma atividade física exaustiva (Barnett, 2006). Essa afirmação é corroborada pelos resultados apresentados acima. Esses resultados contraditórios devem-se as diferentes metodologias utilizadas nas pesquisas, como temperatura e tempo de exposição ao gelo, modalidade de exercício utilizado, nível de treinamento dos voluntários, entre outras variáveis.
Cabe a cada profissional envolvido com treinamento de alto nível que tire suas próprias conclusões. Parece mais sensato que se utilize a crioterapia primeiramente em momentos não competitivos, e que se observe a resposta de cada atleta a este método, lembrando que cada organismo pode responder de uma maneira a um mesmo estimulo.
REFERÊNCIAS
Barnett A. Using recovery modalities between training sessions in elite athletes: does it help?. Sports Med 36:781-796, 2006.
Barquilha, G.; Moura, N. R.; dos Reis, S.A, Uchida, M.C. ; Bortolon J.R ; Freitas Junior, P.B ; Hirabara, S.M . Aumento da concentração de Il-6 e atividades de CK e LDH do sangue, após sessão de exercícios para hipertrofia muscular. III Congresso Brasileiro de Metabolismo, Nutrição e Exercício, Londrina, 2010.
Brancaccio et al, 2005. Análise de lesão muscular em ratos treinados e sedentários submetidos a crioterapia. Fisioterapia em Movimento, 18(1), p. 59-65, 2005.
Goodall, S.; Howatson, G. The effects of multiple cold water immersions on indices of muscle damage. Journal of Sports Science and Medicine, 7, 235-241, 2008.
Leite, M.A. efeito da crioterapia na recuperação das alterações na performance física e de indicadores de lesão muscular induzida por um único jogo de futebol. Dissertação de 2° ciclo apresentada á faculdade de desporto da universidade do Porto. 2009
Silva et al, 2007. Estudo comparativo entre a aplicação de Crioterapia, cinesioterapia e ondas curtas no Tratamento da osteoartrite de joelho. Acta Ortop Bras 15 (4) 2007.
Sellwood KL, Brukner P, Williams D, Nicol A, Hinman 12. R. Ice-water immersion and delayed-onset muscle so­reness: a randomized controlled trial. Br J Sports Méd. 41(6): 392-397 2007.

domingo, 16 de outubro de 2011

EXERCICIOS INTEGRADOS NO FUTEBOL

Os exercícios de treino, em qualquer modalidade esportiva, são a principal ferramenta de trabalho de treinadores e preparadores físicos. É através deles quejogadores e equipes buscam o maior desenvolvimento de suas capacidades de jogo.
O objetivo deste texto é discutir uma metodologia específica de exercícios que pode ser usada para a melhoria das capacidades físicas, porém, a nteriormente à esta discussão, fez-se necessário entender um pouco a respeito da história da Preparação Física (PF) aplicada a o futebol.
A PF no Futebol, bem como em outros esportes coletivos, teve seu grande “boom” de desenvolvimento durante a década de 70. Alguns pesquisadores sobre o assunto afirmam que o período anterior aos anos 70 pode ser considerado como a pré–história da PF.
O principal motivo que culminou no grande desenvolvimento da PF foi a descoberta dela enquanto diferencial competitivo, ou seja, as equipes melhores condicionadas fisicamente começaram a conquistar mais vitórias.
Assim, houve uma corrida em busca de profissionais preparados a desenvolver estas capacidades nos atletas, aparecendo desta maneira uma figura muito importante no cotidiano atual do Futebol, o preparador físico.
Porém, naquela altura os profissionais mais preparados para desenvolver este tipo de trabalho não se encontravam no Futebol, e sim no Atletismo, na Natação, no Levantamento de Peso, entre outras modalidades individuais, com características bem diferentes do Futebol (Espín, 2002 e Bezerra. 2001). Desta maneira a metodologia empregada na PF do Futebol também foi “importada” destes esportes, metodologia esta que era baseada na Teoria do Treinamento de Matveév.
Nos dias de hoje, em centros de excelência no treinamento do Futebol há uma busca cada vez maior pelo aumento da especificidade no treinamento. Uma das alternativas para resolver este problema é a utilização de exercícios que contemplem uma estrutura de rendimento que seja próxima à realidade do jogo. Para isto, estes exercícios devem conter componentes técnicas, táticas, estratégicas, físicas e até mesmo psicológicas que são encontradas no jogo de Futebol. Estes exercícios são chamados de exercícios integrados (Chirosa Rios e Chirosa Rios, 2002).
Sá (2001, p. 20) afirma que estes exercícios, sob a forma de jogos reduzidos, possuem elevada ligação aos problemas de jogo, ou seja, com os problemas que tanto jogadores, quanto equipes, devem resolver dentrodo campo.
Giménes (1999) afirma que através da manipulação de algumas variáveis nos jogos reduzidos é possível induzir o comportamento dos jogadores e conseqüentemente induzir a orientação para os diferentes problemas de jogo. Estas variáveis são:
  • bola: tamanho, peso e quantidade;
  • metas: tamanho, número e até mesmo na forma de se atingi–la (a meta pode ser transformada em zonas específicas no campo, tempo de posse de bola, número de passes consecutivos, entre outras);
  • espaço: dimensões e forma;
  • jogadores: quantidade;
  • tempo: duração;
  • regras: podem ser adicionadas regras que vão limitar ou induzir a ação dos jogadores; ex: número de toques consecutivos na bola permitidos por jogador, obrigatoriedade de circulação de bola pelos integrantes da equipa, entre outras.
Segundo Puygnaire e col. (2003), é possível também atingir um objetivo físico determinado, durante a realização de um jogo reduzido, através da manipulação destas mesmas variáveis supracitadas. Ou seja, a manipulação destas variáveis vai provocar também a modulação da intensidade do exercício no jogo reduzido, e assim, atingir uma capacidade física específica. Para Ferreira (2002), no treino desportivo podem ser consideradas cinco grandes zonas de intensidade. Segundo o mesmo autor anteriormente citado, o treino nestas zonas de intensidade promoverá no organismo algumas adaptações específicas:
Quadro 1: Zonas de intensidade e suas adaptações específicas no organismo (adaptado de Ferreira, 2002 e Chamoux e col., 1988) Puygnaire e col. (2003) sugerem alguns jogos reduzidos para o treino em algumas das zonas de intensidade citadas anteriormente:
Capacidade Aeróbia:
– A duração do exercício deverá situar–se entre 25 e 50 minutos; a intensidade, determinada pela FC, deve situar–se entre 140 e 160 bpm (aproximadamente 80% FCmáx).
– Duas equipas de oito jogadores enfrentam–se num espaço de 50×40 metros; o objetivo é a manutenção da posse de bola dentro deste espaço. Marca um ponto a equipa que fizer oito passes consecutivos.
– O jogo reduzido possui duas partes de 10 minutos com cinco minutos de intervalo.
Potência Aeróbia:
– Volume de trabalho de aproximadamente 20 minutos; o tempo de trabalho deverá ser igual ao tempo de recuperação (entre jogos); a FC deve situar–se entre 170 e 190 bpm (aproximadamente 90% FCmáx);
– Atuam 12 jogadores mais dois guarda redes, na zona central da metade do campo (meio campo de comprimento e a largura se estende pelo tamanho da área) joga–se 3×3;
– Realizam–se oito repetições de dois minutos e 30 segundos de trabalho com descanso ativo em mesmo intervalo (um grupo trabalha e outro recupera).
A partir dos exemplos apresentados anteriormente, pode–se notar que as variáveis manipuladas nos jogos reduzidos foram: a meta, no primeiro exemplo, que passou a ser o número de passes consecutivos e, em ambos os exemplos, o número de jogadores, o espaço e o tempo foram reduzidos.
O Quadro 2 apresenta alguns valores de referência para a construção a partir da modulação das variáveis anteriormente citadas, como tempo de jogo, número de jogadores, campo de jogo, regras, entre outras, de exercícios integrados que visem o treino da capacidade anaeróbia e da potência anaeróbia.

Quadro 2: Valores de referência para a construção de exercícios integrados para o treino de capacidade anaeróbia e potência anaeróbia (adaptado de Ferreira, 2002)
Conclusões
Observamos com esta discussão uma alternativa para o treinamento físico aos exercícios com origens em modalidades individuais, mais freqüentemente observados sob a forma de corridas, que por isto podem ser considerados bastante inespecíficos ao jogo de futebol. Porém, em nenhum momento neste texto foi defendida a substituição de um tipo de exercício em detrimento de outro.
Podemos consideram sim que ambos os métodos possuem utilidade, e que cabe ao treinador, ou preparador físico, saber optar por aquele que melhor vai resolver seus problemas e ajudar a obtenção de seus objetivos.